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Diabetes Mellitus

Obs: Este texto é de caráter informativo, não substitui acompanhamento individualizado por profissional de saúde.


Introdução


O Diabetes Mellitus é uma doença de grande morbidade. Há uma tendência da prevalência do diabetes mellitus aumentar na população mundial devido ao alargamento da longevidade e as mudanças de hábitos atribuídas a crescente urbanização, segundo alguns estudos.


 

Definição


Em 1999 a Sociedade Brasileira de Diabetes definiu o Diabetes Mellitus (DM) como uma síndrome de etiologia múltipla, que decorre da falta de insulina e/ou da incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos. Caracterizando-se por aumento crônico nos níveis de glicose no sangue, distúrbios do metabolismo dos carboidratos, lipídes e proteínas.


 

Classificação


DM tipo 1: ocorre normalmente em jovens e é causado pela falta de insulina, requer uso de insulina regulamente, corre uma maior risco de cetoacidose que pode levar o paciente ao coma.


DM tipo 2: Apresenta-se normalmente após os 40 anos de idade resulta, causado por uma deficiência relativa de insulina ou em uma ineficácia de sua utilização pelo organismo. A maioria dos pacientes tem excesso de peso e a cetoacidose ocorre apenas em situações especiais.


DM secundária (Outros tipos de DM) contém várias formas de DM, decorrentes de defeitos genéticos associados com outras doenças ou com uso de fármacos.


O DM gestacional é a diminuição da tolerância de glicose, de magnitude variável, diagnosticada pela primeira vez na gestação, podendo ou não persistir após o parto.


 

Sinais e sintomas


Classicamente temos:


Poliúria: aumento do volume urinário e frequëncia, devido à diurese osmótica causada pela glicose;


Polifagia: fome, para contrabalancear o estado de catabolismo promovido pela falta de insulina;


Polidipsia : sede excessiva, para contrabalancear a perda de água.


Podendo ocorrer ainda casos de irritação, infecções freqüentes (pela imunossupressão relativa causada pelo hipercatabolismo), cansaço excessivo, perda de sensibilidade de extremidades (pela neuropatia diabética), visão embaraçada, perda de peso e alterações de coagulação do sangue.


 

Complicações


Ainda segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes,o paciente diabético poderá cursar com internações hospitalares, evoluir com formas de cardiopatias, colecistopatias (pedras na vesícula biliar), derrame (acidente vascular cerebral) e hipertensão arterial.


 

Diagnóstico


Presença dos sintomas clássicos e dosagem de glicose no sangue venoso em jejum maior ou igual a 126 mg/dl ou 200 mg/dl, medida a qualquer hora do dia;

Assintomático com dosagem de glicose no sangue venoso em jejum 126 mg/dl confirmada em duas ou mais ocasiões;

Glicemia plasmática venosa na amostra de 2 horas no teste oral de tolerância à glicose(TOTG).

Atualmente existe uma forte corrente para "baixar" ainda mais este valor, pois quanto melhor o controle menor a chance de efeitos adversos causados pela doença descompensada.


 

Tratamento


Por recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes, que em 1999 recomendou tratamento do DM, incluindo as seguintes estratégias: educação, modificações do estilo de vida que incluem a suspensão do fumo, aumento da atividade física e reorganização dos hábitos alimentares e, quando necessário, uso de medicamentos. A terapia nutricional é um dos pontos fundamentais no tratamento do DM. Não é possível um bom controle metabólico sem uma alimentação adequada.

 

O plano alimentar deverá:

 

Visar ao controle metabólico (glicose e lipídeos plasmáticos), da pressão arterial e prevenção de complicações;

 

Ser nutricionalmente adequado. Recomenda-se, atualmente, à pessoa com diabetes uma alimentação saudável e equilibrada que todo indivíduo deveria seguir. As dietas restritivas, além de nutricionalmente inadequadas, são de difícil adesão;

 

Ser individualizado (atender às necessidades individuais de acordo com a idade, sexo, estado fisiológico, estado metabólico, atividade física, doenças intecorrentes, hábitos socioculturais, situação econômica, disponibilidade de alimentos, etc);

 

Fornecer Valor Calórico Total (VCT) compatível com a obtenção e/ou manutenção do peso desejável. Para pessoas obesas, a dieta deverá ser hipocalórica, com déficit de 500 a 100 Kcal diárias, que possa promover perdas ponderais de 0,5 a 1,0 Kg por semana. Devem-se evitar dietas com VCT inferior à taxa de metabolismo basal do indivíduo e apenas em casos especiais e por tempo limitado podem ser utilizadas dietas com valor calórico inferior a 1000 calorias.

 

Metas a serem alcançadas com a dietoterapia:

 

Atingir e manter o controle da glicemia;

 

Atingir e manter a faixa de PCI (peso corpóreo ideal);

 

Melhorar o funcionamento das células beta, quando possível o controle da glicemia; Prevenir ou minimizar complicações.


 

Orientação Nutricional


Em termos práticos, podemos afirmar que, na dieta da maioria das pessoas com diabetes, os carboidratos deverão representar em torno de 50 a 60% do valor calórico total da dieta. Isso significa que a pessoa com diabetes deverá ingerir 6 ou mais porções diárias de alimentos ricos em carboidratos, dando preferência aos complexos (fontes de amido) e ricos em fibras (uma porção de carboidratos corresponde, por exemplo, a uma fatia de pão de forma ou meio pão francês ou uma escumadeira rasa de arroz ou macarrão ou uma batata média ou meia concha de feijão).

O total de porções diárias desse grupo de alimentos variará de acordo com o VCT da dieta prescrita e portanto, basicamente com o índice de massa corporal, idade e nível de atividade física do indivíduo. Essas quantidades deverão ser individualizadas.

As gorduras deverão representar menos que 30% do VCT da dieta, sendo que gorduras saturadas deverão corresponder, no máximo, a 10% do VCT. Em termos práticos, isso significa que a pessoa com diabetes deverá evitar alimentos gordurosos em geral, como carnes gordas, embutidos, laticínios integrais, frituras, gordura de côco, molhos, cremes e doces ricos em gordura e alimentos refogados ou temperados com excesso de óleo ou gordura. Em algumas situações, como na hipertrigliceridemia ou quando a HDL-col se apresenta abaixo do desejável, pode ser aconselhável aumentar a quantidade de gorduras monoinsaturadas (azeite, abacate, óleo de canola), reduzindo nesse caso a oferta de carboidratos.

O conteúdo protéico deve ser de 0,8 a 1,0 g/kg de peso desejado por dia. Em termos práticos, isso corresponde a duas porções pequenas de carne por dia, que podem substituíddas com vantagem pelas leguminosas (feijão, lentilha, soja, ervilha ou grão de bico) e duas a três porções diárias de leite desnatado ou queijo magro. Os ovos também podem ser utilizados como substitutos da carne, respeitando-se o limite de 2 gemas por semana, em função do teor de colesterol. Excessos proteicos, especialmente de carnes vermelhas, devem ser evitados.

A alimentação deve ser rica em fibras, vitaminas e minerais, para o que se recomenda o consumo diário de duas a quatro porções de frutas (sendo pelo menos uma rica em vitamina "C") e de três a cinco porções de hortaliças (cruas e cozidas). Recomenda-se, ainda, dar preferência, sempre que possível, aos alimentos integrais.

 

Procure fracionar os alimentos, distribuindo em seis refeições diárias;

Não é recomendável o uso habitual de bebidas alcóolicas. Contudo, estas podem ser consumidas moderadamente (uma a duas vezes por semana, no limite de dois copos de vinho ou uma lata de cerveja ou uma dose de 40 ml de uísque)

Os alimentos dietéticos podem ser recomendados considerando-se o seu conteúdo calórico e de nutrientes. Procure ler os rótulos antes de comprá-los. Vale ressaltar a diferença entre alimentos "diet" (isentos de sacarose, quando destinados a indivíduos diabéticos, mas que podem ter valor calórico elevado, por seu teor de gorduras ou outros componentes) e "light" (de valor calórico reduzido, em relação aos alimentos convencionais). Em função dessas características, o uso de alimentos dietéticos, "diet" e "light" deve ser orientado pelo profissional nutricionista , que se baseia no conhecimento da composição do produto para incluí-lo no plano alimentar proposto.

Quanto aos adoçantes a Organização Mundial de Saúde recomenda seu uso dentro de limites seguros, em termos de quantidade e, do ponto de vista qualitativo, recomenda alternar os diferentes tipos.


Para o tratamento mais específico ou medicamentoso, procure um médico!


Referências Bibliográficas

AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Clinical Practice Recommendations. v. 20 supl. 1, 1999.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Consenso Brasileiro de Conceitos e Condutas para o Diabetes Mellitus;1999.

LIPKIN, E.; New Strategies for the Treatment of Type II Diabetes. Journal of the American Dietetic Association. 1999.

PAZ,Gilberto; BITTENCOURT, Alencar; CAMPOS, Denise;. PEROTTO,Vera Regina. Liga Acadêmica de Diabetes, Universidade Federal do Paraná - 1999.

S.A.N. - Sistema de Apoio Nutricional.



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